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Crônicas que contam histórias de Campos do Jordão.

 

Paulinho Sofredor, um soldado pé quente. 


Paulinho Sofredor, um soldado pé quente.

A única foto que consegui onde aparece o Soldado "Paulinho Sofredor", caminhando rumo ao Sanatório Sírio.

 

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É inacreditável, porém é a mais pura, límpida e grande verdade.

Campos do Jordão, na década de cinqüenta, tinha em nosso pequeno posto policial, situado ao lado do então Mercado Municipal (antigo), na Av. Dr. Januário Miráglia, em Vila Abernéssia, no local onde hoje se encontra instalada a agência da Nossa Caixa Nosso Banco, anteriormente Caixa Econômica Estadual, uns poucos policiais militares, da gloriosa Força Pública do Estado de São Paulo, talvez apenas uns três ou quatro, para fazerem o policiamento de toda a cidade, que tinha uma população de aproximadamente dez mil habitantes.

Um dos policiais se chamava Paulo – infelizmente não sei o nome completo – e era carinhosamente conhecido por Paulinho.

Já era um homem maduro nessa época – acredito que com mais de quarenta anos. Creio que devido ao uso diário e contínuo do tradicional coturno, calçado que faz parte do uniforme policial, e que favorece o endurecimento da pele em determinados pontos, formaram-se nos pés de Paulinho muitos e doloridos calos, deixando-o com muita dificuldade para andar corretamente.

Por andar quase sempre mancando, devido à dor e ao desconforto dos malditos calos, passou a ser conhecido por Paulinho Sofredor.

Em determinada noite, em meados da década de 1950, foi chamado para atender a uma ocorrência no centro de Vila Capivari. Como a polícia local não tinha um veículo, combinou com o solicitante que chamaria um carro de praça – nome que era comum, naquela época, aos veículos de aluguel, hoje denominados táxi –, e que o solicitante pagaria a corrida ida e volta.

Cumpriu o combinado: chamou um carro de praça e foi direto para o centro de Vila Capivari. Lá chegando, foi direto ao local de onde havia partido a solicitação. A solicitação era de providências policiais para a retirada de um bêbado que insistia em perturbar a ordem do bar São Luiz que, naquela época, era de propriedade do Sr. Hermínio.

Paulinho Sofredor, primeiramente, tentou com boas maneiras falar com o bêbado, tentando que ele saísse do bar tranqüilamente, evitando usar a força física. Gastou seu verbo por vários minutos e o danado do bêbado insistia em permanecer naquele recinto. Era, realmente, um bêbado muito chato, porém muito maior que o Paulinho e muito mais forte fisicamente.

Depois de algum tempo, o Paulinho foi perdendo a paciência e já não suportando a insistência do bêbado, resolveu segurá-lo pelo braço na tentativa de puxá-lo para fora. Daí o inesperado e surpreendente desfecho da diligência. O danado do bêbado, percebendo que o policial estava usando a força física, porém com certa dificuldade para andar, não pestanejou, deu um “pisão” com o calcanhar num dos pés do Paulinho, massacrando seus estimados e doloridos “calinhos”. O coitado começou a pular e a gritar de dor. O Paulinho Sofredor ficou com o pé tão quente e tão dolorido que teve de ser auxiliado pelo dono do bar e pelo próprio bêbado para ser colocado no táxi, pedindo lamentosamente para que o levasse para a Santa Casa para que pudesse ser medicado com urgência, pois não agüentava de dor.

O “chauffeur” do táxi, como eram chamados os motoristas naquela época, recebeu a corrida do Sr. Hermínio e partiu em direção à Vila Abernéssia para levar o Paulinho Sofredor, o Soldado pé quente, para a Santa Casa.

Soldado pé quente, sim, primeiramente, pela dor que estava sentindo e, também, pelo fato de o bêbado ter ido embora logo após a partida do táxi, resolvendo assim o problema do Sr. Hermínio, fazendo voltar a paz ao bar São Luiz.

Edmundo Ferreira da Rocha

11/07/2003

 

Acesse esta crônica diretamente pelo endereço:

www.camposdojordaocultura.com.br/ver-cronicas.asp?Id_cronicas=149

 

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