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Crônicas que contam histórias de Campos do Jordão.

 

Pantaleão, o admirador do Dr. Adhemar de Barros 


Pantaleão, o admirador do Dr. Adhemar de Barros

Pantaleão Afonso Vieira no seu uniforme dos Correios e Telégrafos.

 

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Na foto, da esquerda para a direita: Nelson Pereira da Silva, o conhecido Nelsinho português, não identificado, Normando da Fonseca Simões, Simão Cerineu Saraiva, na época, o Chefe da agência dos Correios e Telégrafos, Olympio Muller, Paulo Rios, PANTALEÃO AFONSO VIEIRA e não identificada.

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Pantaleão Afonso Vieira foi funcionário da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos em Campos do Jordão, nos idos de 1940 e 1950.

Em dado momento de sua existência, por algum motivo de foro íntimo, talvez um amor perdido, não correspondido ou algum outro relevante, que deixou marcas profundas em sua vida, enveredou pelo alcoolismo.

Embebedava-se quase que diariamente, porém sempre foi um alcoólatra pacífico e que nunca criou situações agressivas ou constrangedoras. Limitava-se a curtir o seu infortúnio, na maioria das vezes isoladamente e solitário e sentado em banco de alguma praça pública.

Era um eterno apaixonado pelo Grande Homem Público Brasileiro de renome Nacional e Internacional, Dr. Adhemar Pereira de Barros, pessoa que manteve estreitos e fortes laços de amizade e dedicação com nossa querida Campos do Jordão e seu povo, e que foi um de nossos maiores benfeitores, muito contribuindo com nossa cidade, beneficiando-a, especialmente na época em que a tuberculose atingiu o seu mais alto grau de propagação e, também, posteriormente, no início de nosso inevitável processo de incentivo ao turismo.

Vale registrar que esse eminente homem, quando Interventor no Estado de São Paulo, na década de mil novecentos e trinta, idealizou e deu início ao atual Palácio Boa Vista, com o intuito de, anualmente, no verão, transferir para cá o Governo do Estado de São Paulo. Também ele, após mais de trinta anos do início dessa construção, quando de novo mandato como governador, veio a completá-la e inaugurá-la na década de sessenta, transformando-o em um grande ponto de atração turística de Campos do Jordão, além de atender, em algumas oportunidades, à finalidade inicial e principal que lhe deu origem.

Era comum, no auge de suas homéricas bebedeiras, Pantaleão ficar enaltecendo a figura ímpar do Dr. Adhemar de Barros. Era comum, também, a falta de continuidade das frases iniciadas que, de rotina, ficavam sempre inacabadas e perdidas no espaço.

Ficaram famosas suas veementes exclamações: Mais ou menos agora! ... Adhemar de Barros !... e, em seguida, um certo silêncio “ensurdecedor”, e, logo após algum tempo, novamente, Mais ou menos agora !... Adhemar de Barros !... e assim eram repetidas inúmeras vezes. Era impossível saber o complemento dessas exclamações, pronunciadas com um tom de voz bem superior ao normal. Ficávamos curiosos e apreensivos, esperando que, em alguma oportunidade, ele viesse a completar o seu pensamento; porém, lamentavelmente, nunca tivemos essa oportunidade.

Pantaleão era um coitado. Nas horas de sobriedade fazia pequenos serviços braçais de jardinagem, pintura, limpeza etc., o que lhe garantia alguns trocados para poder se sustentar no seu dia-a-dia e fomentar o seu vício.

Pantaleão, numa determinada tarde chuvosa, no final da década de sessenta, com uma garoa não muito forte, em que curtia mais uma de suas bebedeiras tradicionais, sentado em um banco de praça pública, nas proximidades da antiga Foto Capivari, de propriedade do Sr. Jair de Souza Lemos e de Dona Rita, bem no Centro da Vila Turística de Capivari, silenciosa e isoladamente, sem que ninguém percebesse, disse adeus ao mundo e partiu para a eternidade, talvez à procura da paz e da felicidade da qual, aqui, havia ficado distante por longos e demorados anos, não tendo dado, durante todo esse tempo, sequer a algum melhor amigo, a oportunidade de saber os reais e profundos motivos.

Quando as poucas pessoas que trabalhavam ou perambulavam pelo Centro de Vila Capivari, vendo que o Pantaleão continuava sentado no banco da praça, sob uma chuva fina e penetrante, dirigiram-se a ele, com o intuito de levantá-lo e tirá-lo de lá, foram surpreendidas com seu corpo inerte e gelado de homem morto...

Edmundo Ferreira da Rocha

20/08/1985

 

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