
TERCEIRA FESTA NACIONAL DA MAÇÃ DE CAMPOS DO JORDÃO - ANO 1955
Comentário do Jornalista JOÃO DE SÁ, autor do Hino à Campos do Jordão, no Jornal “A Cidade de Campos do Jordão” de 13/03/1955, página 3
Acaba, Campos do Jordão de realizar a sua II Festa Nacional da Maçã, Esse empreendimento em favor da maior cultura deste apreciado fruto, foi iniciativa do Agrônomo Shisuto José Murayama, e felizmente, parece que jamais morrerá, por que, sobre ser um grande incentivo ao plantio racional da maçã, é uma festa que atrai, para a nossa Estância, as atenções do país. Além disso, provada como está a possibilidade do seu desenvolvimento em grande escala, há de se tornar a intensificação do cultivo, uma fonte de apreciável renda posto que, provado está, também, que é compensador esse trabalho.Tendo estas razões em vista é que o agrônomo Orlando Destro, substituto de José Murayama, resolveu realizar a III Festa, mesmo sem contar com o apoio oficial, quase nulo pois, este, se resume, apenas, num “stand” e no envio de um representante para inaugurar o ato. Estimulado, porém, pelos outros fatores favoráveis acima apontados e, contando, ainda, com a colaboração da colônia japonesa e de outros plantadores, o Sr. Orlando Destro meteu mãos à obra e conseguiu, à força de sacrifícios os mais diversos, ver levado avante o seu intento.A ajuda imprescindível do Povo Jordanense e das autoridades da Estância, fez-se sentir suprido destarte, a deficiência do apoio oficial. É verdade que nem todos os bairros colaboraram com a intensidade que seria de esperar mas isso foi devido, talvez, a alguma incompreensão do movimento que ainda existe, apesar de estranhável. Outro fator que desanimou a muita gente foi a quase falta de recursos financeiros isto é, foi feita uma severa restrição aos gastos superficiais e nós sabemos que, infelizmente, trabalhar à base de idealismo não é para qualquer um... No entanto, e apesar disso, a Festa, se não teve o brilho das anteriores, como querem alguns, em compensação, não deu prejuízos a ninguém.Não tiveram, os jordanense, espetáculos com grandes artistas de fora, é verdade, mas puderam apresentar aos seus visitantes coisas genuinamente jordanenses como um espetáculo 100% de Campos do Jordão e a “Rainha” da Festa que personificou a graça e a inteligência das moças da Estância, ganhando, em renhido pleito, o cetro que saberá guardar para entregá-lo, à sua substituta.
A Exposição, armada no próprio coração de Campos do Jordão, em Vila Abernéssia, constituiu um verdadeiro sucesso. Por todos estes motivos é de se supor que as futuras festividades da maçã, sejam uma seqüência ininterrupta de sucessos até que possamos chegar ao objetivo final, isto é: o cultivo para a exportação que será uma grande fonte de renda para o Brasil e um marco de progresso para a Estância.
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