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Crônicas que contam histórias de Campos do Jordão

 

Identificar fotos antigas... que dificuldade


Identificar fotos antigas... que dificuldade

Exemplo de fotos antigas a serem identificadas.

 

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Neste trabalho que venho executando há um bom tempo, preparando fotos antigas e históricas para serem colocadas no site, enfrento, no mínimo, duas tarefas difíceis que, via de regra, encaro solitariamente, ocupando muito tempo. Não reclamo e entendo que é um trabalho muito importante para a preservação da história e cultura de Campos do Jordão, trazendo boas recordações para as gerações mais antigas e, especialmente, para as futuras gerações. Sem esse trabalho, com certeza, daqui a algumas décadas, uma pessoa que tenha acesso a uma fotografia antiga de 50, 60 ou mais anos, sem as identificações que procuro incluir em cada foto, ficaria perdida, sem saber sua história, o nome das pessoas que nela aparecem, a data ou, na pior das hipóteses, a década.

Uma dessas dificuldades é melhorar a qualidade das fotos no maravilhoso Programa Photoshop. Acho que a qualidade das fotos é muito importante.

Muito difícil é recuperar fotos que comprometem rostos e faces de pessoas. Algumas vezes é até possível recuperar algum detalhe de cabelos, olhos, orelhas e até bocas. Impossível é recuperar a fisionomia, as feições do rosto, o semblante, a cara e a expressão particular de alguém, mesmo que seja bastante conhecido. Se desconhecido, pior ainda.

Algumas poucas fotos recuperadas, infelizmente, perdem pequenos detalhes, impossíveis de serem recuperados, mas que não comprometem a qualidade geral. Poucas fotos são impossíveis de ser recuperadas, especialmente aquelas que foram tiradas fora do foco.

Também muitas das fotos recebidas ou conseguidas por meio da pesquisa realizada apresentam qualidade bastante comprometida. Muitas, desgastadas pelo tempo. Outras, com rasgos comprometedores, dobras profundas, riscos, rabiscos, manchas de líquidos derramados sobre elas, anotações feitas com caneta esferográfica; enfim, toda “sorte”, melhor dizendo, azar, de situações que interferiram na qualidade das mesmas, quase as inutilizando para sempre.

Recentemente, recebi um álbum de fotografias históricas importantes, em sua maioria, ampliadas, de bom tamanho e de muito boa qualidade; porém fiquei surpreso com a maneira inusitada, utilizada por seu proprietário, para identificar as datas, locais e nomes das pessoas que aparecem nessas fotos. Utilizando caneta esferográfica azul, ele escreveu em cima de detalhes importantes das fotos, inclusive em cima das pessoas, para melhor identificá-las. Com esse hábito, infelizmente, chegou a escrever em cima do rosto/cara das pessoas. Essas fotos, para limpá-las de todas essas anotações, deram um trabalho redobrado, especialmente quando as anotações estão em cima do rosto das pessoas.

Felizmente, algumas fotos conseguidas, disponibilizadas por amigos, estão muito bem conservadas e acondicionadas em álbuns cuidadosamente preparados, contendo informações valiosas sobre elas, inclusive datas, locais e nomes das pessoas que nelas aparecem. Oxalá todas as fotos que chegam às minhas mãos viessem dessa maneira. Com certeza, reduziriam e agilizariam o árduo trabalho desenvolvido no sentido da recuperação e identificação.

A outra tarefa de grande dificuldade é identificar as possíveis épocas, datas e até décadas das fotos. Felizmente, como sou nascido e criado em Campos do Jordão, conheço ou conheci uma boa quantidade de prédios e casas antigas importantes. Esses detalhes me ajudam a identificar se não o ano, ao menos a década das fotos. Também algumas pessoas que aparecem nas fotos que, embora não tenha conhecido pessoalmente ou tenha tido alguma amizade, aprendi, com a constância e ao longo deste trabalho, a guardar suas fisionomias e também as décadas em que aqui estiveram presentes ou participaram ativamente de alguma atividade importante para a cidade.

Claro que a identificação dos nomes das pessoas que aparecem em muitas fotos, infelizmente, dado o tempo transcorrido entre o clique do fotógrafo e a data da tentativa das identificações, compromete o sucesso do trabalho. Felizmente, Graças a Deus, tenho uma memória fotográfica bastante aguçada, de causar inveja para muitos amigos da mesma idade e até amigos de idades muito superiores que, muitas vezes, conheceram muitas dessas pessoas, foram seus amigos, porém não se lembram dos nomes. As pessoas que conheci ou vi em alguma oportunidade da minha vida e que fiquei sabendo seus nomes, estão registradas em minha memória até os dias atuais. Guardo seus nomes completos e dificilmente esqueço.

Até pouco tempo pude contar com uma ajuda bastante significativa que me ajudava na identificação de muitas pessoas que aparecem em fotos antigas, especialmente, pessoas que nunca conheci ou vi em alguma oportunidade. Como sua idade supera a minha em quase sete anos, teve a oportunidade de conhecer e relacionar-se com muitas pessoas que não conheci ou ouvi falar. Falo do meu grande e querido amigo de jornadas inesquecíveis, o maior historiador de Campos do Jordão, Pedro Paulo Filho que, há algum tempo, vem enfrentando sérios problemas de saúde. Fico sempre na esperança do seu restabelecimento e volta ao seu importante trabalho de registro da memória da nossa terra. Embora sua memória esteja muito boa, não quero dar-lhe o trabalho da identificação de pessoas antigas. Alguns outros amigos antigos, também, muitas vezes, me ajudam nesse trabalho de identificações.

Com esses dois trabalhos acima mencionados, infelizmente, ocupo uma boa parte do meu tempo que, sem dúvida, poderia ser aproveitado com maior sucesso em atividades diversas, como, por exemplo, pesquisando, escrevendo contos e crônicas, fotografando etc. Sobre isso, preciso deixar registrado que, por diversas vezes, vários amigos têm procurado me incentivar na procura de alguém para me auxiliar nesse difícil trabalho.

Com relação ao trabalho do Photoshop, até que não é tão difícil conseguir alguém para ajudar; porém, especialmente aqui em Campos do Jordão, poucas pessoas dominam esse programa para tratamento de imagens. Também os que dominam querem ganhar muito, justificando que é um trabalho difícil, às vezes demorado e de muitas minúcias. Isso inviabiliza o meu trabalho. Seria obrigado a suportar mais despesas além daquelas que já venho enfrentando sozinho, ao longo de todo esse meu trabalho. Felizmente o pouco que sei e que aprendi na base da curiosidade, com pouca ajuda de amigo, tem atendido minha necessidade, sem gastos adicionais.

Com relação à identificação das datas, épocas ou décadas das fotos e identificação de pessoas etc., infelizmente, é um trabalho que não posso repassar a ninguém. Se pessoas de idade igual à minha têm dificuldade para lembrar-se desses detalhes, pessoas mais idosas, via de regra, também terão essa dificuldade. Pior ainda seria contratar um jovem, um estudante que tivesse tempo para executar esses serviços. Esses, infelizmente, quando muito, poderiam lembrar-se de situações, de nomes e de datas de, no máximo, quinze ou vinte anos passados. De nada adiantaria para o meu trabalho essa “ajuda pretendida”, pois grande maioria das fotos que utilizo é das décadas de 1920 até 1970, muito distantes da época em que vivem.

Este exemplo que vou descrever aconteceu no ano de 2009, portanto, há cinco anos, e envolve um amigo cinco anos mais novo que eu. Portanto, nessa época, ele tinha por volta de 56 anos de idade. Estava querendo identificar os jogadores de futebol de uma equipe da Associação Atlética Jaguaribe – A.A.J., do ano de 1964. Como me faltava a identificação apenas de três jogadores que estavam na foto e vendo que esse amigo também estava na foto, resolvi procurá-lo para me auxiliar. Incrível foi o resultado dessa “ajuda”. Ele pegou a foto, colocou-a bem próximo da vista e a olhou por algum tempo. Depois disso, aos poucos, com a foto na mão, foi esticando o braço até ao máximo. Ato contínuo, foi trazendo a foto, novamente, mais para perto da vista. Depois de algum tempo, olhou para mim, me devolveu a foto e disse: “Infelizmente não conheço ninguém que está nesta foto”. A essa resposta fiquei surpreso e resolvi devolver-lhe a foto, perguntando: “Você não conhece nem este aqui?”, apontando o dedo para ele que estava na foto. Ele, novamente, executou com a foto as mesmas movimentações acima descritas. Depois de algum tempo disse: “Cara, não sei quem é”. Aí eu fui obrigado a dizer: “Este aí é você”. Ele pegou a foto da minha mão, olhou com muito cuidado e disse:

“Pô!... sou eu mesmo”.

Com esse exemplo, justifico mais ainda a impossibilidade da contratação de alguém para me auxiliar nesse trabalho de identificações diversas, especialmente de pessoas que aparecem nas fotos com as quais trabalho. Esse amigo, embora mais novo que eu, não se reconheceu na foto. Imaginem se conseguiria identificar os demais companheiros da equipe de futebol da qual ele participou durante vários anos. Infelizmente, essas situações, de formas até semelhantes, acontecem com muita frequência.

Finalizando. Infelizmente é um trabalho que devo executar sozinho, confiando na minha memória, em alguns registros antigos que utilizo e em algumas ajudas conseguidas às duras penas com alguns poucos amigos.

Edmundo Ferreira da Rocha

02/04/2014

 

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